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    Dores nas Costas: Porque Aparecem e o Que Realmente Ajuda

    10 Jul 2026Lurdes Letras

    As dores nas costas são das queixas mais frequentes em Portugal e uma das principais causas de dias de trabalho perdidos. A maioria de nós vai ter pelo menos um episódio significativo ao longo da vida.

    A boa notícia: a esmagadora maioria não tem causa grave e melhora com movimento adequado e trabalho manual. A má notícia: muita gente faz exatamente o contrário do que ajuda.

    Escrevo enquanto fisioterapeuta, e vou ser direta — incluindo sobre o que não tratamos aqui e exige um médico.

    Onde dói, e o que isso costuma significar

    Zona lombar.: A mais comum. Habitualmente sobrecarga muscular, postura mantida, fraqueza da musculatura profunda ou movimentos repetidos de flexão.

    Zona cervical.: Muito ligada a computador, telemóvel e stress. A tensão emocional acumula-se caracteristicamente aqui.

    Zona dorsal.: Menos frequente. Costuma relacionar-se com postura sentada prolongada e rigidez da caixa torácica.

    Porque aparecem

    • Posições mantidas demasiado tempo. O problema raramente é a má postura em si, é passar horas na mesma postura, seja ela qual for
    • Fraqueza da musculatura estabilizadora, que funciona como um cinto natural. Fraca, a carga passa para estruturas que não a suportam
    • Falta de movimento. O disco intervertebral nutre-se por difusão, através do movimento — uma coluna parada é uma coluna mal nutrida
    • Stress, que aumenta o tónus muscular de forma involuntária e baixa o limiar de dor
    • Sono insuficiente, que reduz a tolerância à dor
    • Sobrecarga pontual, que costuma ser a gota num copo já cheio

    Os erros mais comuns

    Repouso absoluto.: Durante décadas recomendava-se cama. Hoje sabemos que é contraproducente: mais de um ou dois dias de imobilidade atrasa a recuperação e aumenta a rigidez. O movimento adaptado é o tratamento, não o inimigo.

    Fazer exames cedo demais.: Ressonâncias em pessoas sem sintomas mostram hérnias com enorme frequência. Encontrar uma alteração na imagem não significa que seja essa a causa da dor — e o medo que gera pode agravar o quadro.

    Evitar movimento por receio.: O medo de fazer pior leva à evitação, que leva à perda de força, que leva a mais dor.

    Alongar sem critério.: Alongar um músculo que está a proteger uma zona irritada pode agravar.

    Anti-inflamatórios em contínuo sem avaliação.: Mascara o sintoma sem tratar a causa.

    Quando deve consultar um médico

    Isto não é negociável. Há sinais que exigem avaliação médica antes de qualquer terapia manual.

    Procure um médico se tiver:

    • Dor após queda, acidente ou traumatismo
    • Dor que irradia pela perna abaixo do joelho, com formigueiro, dormência ou perda de força
    • Alterações no controlo da bexiga ou intestinos — urgente
    • Dormência na zona genital ou interior das coxas — urgente
    • Febre associada à dor
    • Perda de peso inexplicada
    • Dor que piora à noite ou não alivia em nenhuma posição
    • História de cancro, osteoporose ou uso prolongado de corticoides
    • Dor que não melhora nada ao fim de seis semanas

    Nestes casos não vá diretamente a uma massagem. Vá ao médico primeiro. A terapia manual entra depois, se for indicada.

    Dito isto, a grande maioria das dores nas costas não apresenta nenhum destes sinais.

    O que realmente ajuda

    Manter-se em movimento.: Caminhar é dos melhores tratamentos para a dor lombar comum — regular e progressivo.

    Fortalecer a musculatura profunda.: Exercícios de estabilização para tronco e ancas, não abdominais clássicos.

    Variar de posição.: Se trabalha sentada, levante-se a cada 30 a 45 minutos. Vale mais do que qualquer cadeira ergonómica.

    Terapia manual.: Reduz o tónus excessivo, melhora a mobilidade e alivia a dor. Funciona melhor combinada com movimento, não como substituto dele.

    Calor.: Em contraturas e tensão muscular, ajuda a relaxar.

    Dormir o suficiente e gerir o stress.: Se a tensão emocional é parte da causa, tratar só o músculo resolve metade do problema.

    Como trabalhamos

    O que fazemos: avaliação da mobilidade e das queixas, terapia manual, trabalho miofascial e orientação de exercício para casa. Cada sessão começa por perceber o que aconteceu, o que agrava e o que alivia.

    O que não fazemos: diagnósticos médicos, tratamento de patologia que exija avaliação clínica, nem promessas de cura. Se identificar sinais que precisam de médico, digo-o e encaminho.

    Uma sessão semanal são 60 minutos. As restantes horas do mês é que determinam o resultado — por isso todos os protocolos incluem orientação para casa.

    Perguntas frequentes

    A massagem resolve a dor nas costas?: Alivia e melhora a mobilidade, o que muitas vezes quebra o ciclo de dor. Mas se a causa for fraqueza muscular ou hábitos posturais, não resolve sozinha.

    Quantas sessões preciso?: Tensão recente melhora habitualmente em 3 a 5. Dor com meses ou anos precisa de mais, com espaçamento progressivo.

    Posso fazer massagem se tiver hérnia discal?: Frequentemente sim, com técnicas adaptadas — depende do quadro e da fase. Em fase aguda com irradiação e perda de força, médico primeiro.

    A dor vai voltar?: Se as causas se mantiverem, é provável. Por isso trabalhamos os hábitos, não só o sintoma.

    Calor ou frio?: Calor em tensão muscular e rigidez; frio em inflamação aguda nas primeiras 48 horas após lesão. Na dúvida, calor é mais seguro para dor lombar comum.

    Posso fazer exercício com dor nas costas?: Habitualmente sim, e deve, adaptado à intensidade. Repouso prolongado atrasa a recuperação.

    Marcar avaliação

    Se tem dor ou rigidez que limita o seu dia a dia e já excluiu os sinais de alarme acima, o primeiro passo é uma avaliação.

    Percebemos o que aconteceu, o que agrava e o que alivia, e avaliamos mobilidade. No fim proponho um plano realista, com número de sessões e o que precisa de fazer em casa. Sem compromisso.

    Pronta para experimentar?

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